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FMI: Banca portuguesa entre as principais fragilidades da economia mundial

FMI: Banca portuguesa entre as principais fragilidades da economia mundial

No mesmo documento em que o FMI revê em baixa as suas previsões de crescimento mundial para 2016 e 2017, o fundo refere alguns dos principais riscos que enfrentam as várias regiões do mundo.

Se estivermos a falar de sistema financeiro europeu, claro que a principal preocupação é Itália, mas Portugal também é referido pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) entre os principais factores de preocupação sobre a economia mundial.
"O choque do Brexit surge entre situações por resolver no sistema bancário europeu, em particular nos bancos italianos e portugueses", pode ler-se no texto que acompanha a actualização das previsões económicas do FMI. É a única referência do documento que, como é habitual, é relativamente curto – é apenas uma actualização - mas mostra que a banca nacional é vista pelo Fundo como especialmente frágil nesta actualização do World Economic Outlook.
Esta avaliação do FMI sobre Portugal surge quando Washington elenca os principais riscos para a economia mundial. O Brexit aparece claramente à cabeça, como principal ponto de interrogação. O processo de saída do Reino Unido da União Europeia acontecerá durante um período pouco oportuno, nota o FMI, uma vez que há ainda questões por resolver no sistema bancário europeu (é aqui que surge a referência a Portugal e Itália). "Turbulência prolongada no mercado financeiro e aumento da aversão global ao risco podem ter sérias repercussões macroeconómicas, incluindo a intensificação dos problemas na banca, principalmente em economias vulneráveis", escreve o FMI.
Entre os outros riscos citados por Washington são a dependência do crédito para crescer (especialmente preocupante se a China iniciar um ajustamento agressivo); a necessidade de consolidação orçamental de países exportadores de matérias-primas; e os riscos financeiros nas economias emergentes.
Entre riscos que vão para lá das fronteiras económicas, o FMI cita as divisões políticas nas economias avançadas, que podem prejudicar a solução dos problemas estruturais e de absorção de refugiados. O Fundo classifica ainda como "uma clara ameaça" uma viragem proteccionista das políticas económicas. O terrorismo é um risco importante a considerar para as economias do Médio Oriente, a seca terá um impacto negativo no Este e no Sul de África e o Zika traz preocupações para a América Latina e Caraíbas.
Tudo somado, o FMI espera um crescimento de apenas 3,1% da economia mundial este ano e 3,4% em 2017.
Fonte: Jornal de Negócios (texto de Nuno Aguiar)

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