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Presidente sul-africano inicia visita de dois dias a Moçambique

Presidente sul-africano inicia visita de dois dias a Moçambique

O Presidente sul-africano, Jacob Zuma, inicia nesta quarta-feira uma visita de Estado de dois dias a Moçambique, menos de uma semana após a deportação de quase mil moçambicanos ilegais na África do Sul.

Segundo um comunicado da Presidência moçambicana hoje enviado à Lusa, a deslocação de Zuma decorre de um convite endereçado pelo seu homólogo moçambicano, Filipe Nyusi, que hoje termina uma visita de Estado à Tanzânia.
O Presidente sul-africano viaja para Maputo logo após a detenção e deportação de quase mil moçambicanos que se encontravam em situação ilegal no país vizinho, numa operação que apanhou a diplomacia de Maputo de surpresa, e um mês depois da crise de violência xenófoba contra imigrantes africanos e que levou à fuga de milhares de pessoas para as suas terras de origem.
O comunicado da Presidência moçambicana é omisso em relação às perseguições e operações policiais contra os seus cidadãos na África do Sul, limitando-se a referir que a visita de Estado de Zuma "enquadra-se no contexto do fortalecimento e aprofundamento das relações de irmandade, amizade e cooperação" entre os dois países, "bem como no reforço da cooperação bilateral, nos domínios político, económico e social de interesse mútuo e no âmbito da região da SADC [Comunidade de Desenvolvimento da África Austral].
O programa do Presidente sul-africano prevê um encontro com Nyusi e conversações ao nível ministerial na quarta-feira e, no dia seguinte, uma visita ao parlamento.
Na passada sexta-feira, o chefe da diplomacia moçambicana, Oldemiro Baloi, já tinha anunciado uma reunião bilateral entre os dois países, mas sem apresentar detalhes.
O ministro dos Negócios Estrangeiros chamou os jornalistas para revelar que 947 moçambicanos tinham sido detidos numa operação policial contra imigrantes ilegais na África do Sul e que quase metade regressaria no mesmo dia a Moçambique, tendo sido reactivado o centro de trânsito de Boane, na província de Maputo, por onde já tinham passado centenas de pessoas em fuga da violência xenófoba no país vizinho.
Na ocasião, Baloi disse que as relações com a África do Sul "continuam na mesma, de boa vizinhança e cooperação", apesar dos "momentos menos bons e é para isso que o relacionamento existe", manifestando esperança numa solução e, acima de tudo, em "garantir que da parte sul-africana acções destas sejam devidamente preparadas para atenuar os impactos em Moçambique, porque os há".
No auge da crise xenófoba, o escritor moçambicano Mia Couto escreveu uma carta a Jacob Zuma, considerando que se tratava de uma agressão aos próprios sul-africanos e manchava o país e os sentimentos de gratidão e solidariedade entre africanos, lembrando ainda o exílio do actual Presidente sul-africano em Maputo, durante o regime do "apartheid".
Zuma acabou por responder publicamente a esta carta e também por escrito, agradecendo o apoio dos moçambicanos na luta contra o "apartheid", mas salientando que o seu país enfrenta um problema de imigração ilegal.
O mesmo discurso foi repetido numa cimeira de chefes de Estado e de Governo, em Harare, quando o Presidente sul-africano lamentou a violência xenófoba no seu país, apesar de ter alertado também para alegadas responsabilidades dos Estados vizinhos por serem incapazes de conter a migração ilegal.
No início da crise, o Presidente Filipe Nyusi preocupou-se em ilibar o Governo sul-africano da violência contra os imigrantes, mas mais à frente a diplomacia moçambicana responsabilizou directamente Pretória pelo sucedido e exigiu medidas, enquanto apelava aos seus cidadãos para travarem acções de retaliação que já se faziam sentir em Moçambique contra interesses da África do Sul no país.
Fonte: Notícias ao Minuto

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