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Parlamento brasileiro aprova impeachment da Presidente Dilma

Parlamento brasileiro aprova impeachment da Presidente Dilma

Com 367 votos a favor e 137 contra, a Câmara dos Deputados autorizou a abertura do processo de destituição de Dilma. A bola passa agora para as mãos do Senado, que tem pela frente duas votações decisivas.

Pela segunda vez em 24 anos, o Congresso brasileiro votou, no domingo, a favor da expulsão de um Presidente em exercício de funções. Eram 23h07 em Brasília quando o impeachment passou na Câmara dos Deputados – e ainda restavam 36 deputados por votar. Dilma Rousseff não era a vencedora projectada e não saiu vencedora da votação de domingo na Câmara dos Deputados. Em São Paulo, milhares de pessoas que participavam numa manifestação de rua a favor do impeachment celebraram. No Rio de Janeiro, ouviram-se foguetes e vuvuzelas, além de “panelaços” (batida de panelas) e gritos de “Fora PT!”, numa referência ao partido do Governo, Partido dos Trabalhadores. A votação já durava há cinco horas e meia quando os dois terços necessários – 342 votos – para autorizar a instauração de um processo de impeachment foram alcançados. O resultado final, 367 a favor do impeachment e 137 contra (além de sete abstenções e duas ausências) traduziu-se numa derrota expressiva para Dilma. A Presidente precisava de um terço da Câmara, 172 votos, para travar o impeachment.
Foi uma votação inflamada, pontuada por intervenções estridentes e muito teatro político, que durou seis horas e terminou perto da meia-noite. O “sim” ganhou vantagem desde o início, e cada voto no impeachment foi festejado no plenário, onde os parlamentares abandonaram as suas cadeiras e se concentraram de pé na parte da frente do plenário. O ambiente na sala circular e moderna, desenhada pelo arquitecto Oscar Niemeyer, estava entre o comício e a torcida de futebol, com os parlamentares segurando cartazes pedindo “Impeachment já!” ou dizendo “Tchau querida”, citação irónica da polémica conversa telefónica entre Lula e Dilma divulgada pelo juiz Sérgio Moro no mês passado, em que o ex-Presidente se despedia de Rousseff com essa frase.
Fonte: Público (texto de KATHLEEN GOMES - Rio de Janeiro)

 

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